Ayvalık e Cunda entram no radar brasileiro impulsionadas pela repercussão da série turca Zeytin Ağacı. (Foto CNN)
Repercussão de Zeytin Ağacı muda as perguntas dos viajantes sobre a Turquia e leva a Dorak Latin a criar roteiro inspirado na produção
A Turquia que chega ao imaginário do viajante brasileiro costuma ter nomes conhecidos: Istambul, Capadócia e Éfeso. A repercussão de Zeytin Ağacı, produção turca da Netflix conhecida no Brasil como Uma Nova Mulher, começa a acrescentar dois novos pontos a esse mapa: Ayvalık e Cunda, no litoral do mar Egeu.
A mudança apareceu primeiro nas perguntas dos próprios viajantes. Segundo Jessica Camargo, diretora de Desenvolvimento de Negócios da Dorak Latin, a empresa passou a receber consultas sobre onde fica Ayvalık, como chegar a Cunda e se seria possível conhecer os olivais mostrados na série.

Uma das perguntas recebidas resume a mudança de comportamento: “Podemos visitar os olivais que vimos na série?” Para a executiva, foi o sinal de que a produção havia ultrapassado a condição de entretenimento e começava a despertar interesse concreto por uma viagem.
A resposta da Dorak Latin, operação latino-americana da Dorak Tour, foi criar uma programação específica, batizada de “Zeytin Ağacı’nın İzinde”, ou “Nos passos de Zeytin Ağacı”, ligando Istambul a Ayvalık e Cunda.
Uma rota construída a partir da história
O roteiro começa em Istambul, com visitas a pontos como o Bósforo, Balat, Sultanahmet, Palácio de Topkapı e Grande Bazar. A viagem então segue para Ayvalık e Cunda, onde a proposta muda de escala e passa a explorar o ambiente que ganhou visibilidade na produção.
Em Cunda, entram as ruas de pedra, as casas históricas e o Taş Kahve, um dos locais associados às gravações. Em Ayvalık, os olivais, produtores de azeite e a gastronomia do Egeu passam a fazer parte da experiência.
A programação inclui ainda yoga e exercícios de respiração ao nascer do sol entre oliveiras, visitas a vilarejos, colheita de azeitonas, degustações de produtos tradicionais e passeios de barco na região de Cunda.
O encerramento previsto pela Dorak acontece ao pôr do sol, em uma enseada do Egeu, com música turca ao vivo e gastronomia local. A experiência foi pensada a partir dos próprios temas que atravessam Zeytin Ağacı, entre eles amizade, vínculos e recomeços.

Para Jessica Camargo, a identificação brasileira com a série também passa pela forma como esses temas são apresentados.
“Na vida brasileira, as relações familiares e de amizade também são muito fortes. Comer juntos, estar à mesa com muitas pessoas, passar tempo com os amigos e viver as emoções de maneira aberta fazem parte do nosso cotidiano. A série mostra muito disso.”
Essa proximidade, na avaliação da executiva, ajuda a explicar por que a história encontrou receptividade no Brasil. A paisagem de Ayvalık e Cunda acrescenta outro elemento: apresenta uma Turquia diferente daquela que o brasileiro normalmente associa aos grandes cartões-postais do país.

Cunda e Ayvalık apresentam outra Turquia
“Quando se fala em Turquia no Brasil, Istambul e Capadócia são destinos muito fortes. Éfeso também é conhecido. Ayvalık e Cunda mostram uma outra Turquia”, afirma Jessica.
É justamente aí que a nova rota encontra seu espaço comercial. O produto não pretende substituir os destinos mais conhecidos, mas acrescentar uma experiência regional ao itinerário, marcada pelo litoral, pelos olivais, pelas pequenas ruas, pela gastronomia e por um ritmo diferente das grandes cidades turcas.
A executiva também vê o movimento dentro de um fenômeno maior. As produções turcas já têm forte presença na América Latina e, segundo ela, é comum que espectadores procurem informações sobre as cidades, os locais e os estabelecimentos que aparecem nas histórias.
O diferencial de Zeytin Ağacı, neste caso, foi transformar essa curiosidade em uma possibilidade concreta de viagem.
A Dorak Latin percebeu a mudança nas consultas e estruturou um produto específico em torno dela. É uma resposta que combina os elementos reconhecidos pelo público na tela com experiências que existem independentemente da série e permitem conhecer a região para além das locações.
Para o mercado brasileiro, isso abre uma possibilidade de ampliar a percepção sobre a Turquia. Ayvalık e Cunda passam a ter uma porta de entrada construída pela cultura audiovisual, mas precisam agora conquistar o viajante pela experiência real do destino.
A série pode despertar o desejo. O roteiro é que terá de transformar esse desejo em viagem.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos
O movimento de Ayvalık revela uma oportunidade específica para o trade: identificar destinos que começam a ganhar relevância cultural antes de aparecerem nos roteiros tradicionais dos consumidores. Quando uma produção audiovisual desperta esse interesse, operadores e receptivos podem agir rapidamente para transformar a referência da tela em uma experiência comercial.
Para a Turquia, o caso também ajuda a ampliar a diversidade do produto oferecido ao brasileiro. A força de uma produção como Zeytin Ağacı não está apenas em divulgar um destino, mas em apresentar uma região por meio de uma narrativa capaz de criar familiaridade antes da viagem.

